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Dramaturga e ativista descreve ao Conselho de Segurança da ONU os crimes e atrocidades contra mulheres no Congo.
Por Eve Ensler
Volto do inferno. Procuro desesperadamente uma maneira para lhes contar o que vi e ouvi na República Democrática do Congo. Procuro uma maneira para lhes narrar as histórias e as atrocidades, e, ao mesmo tempo, evitar que fiquem abatidos, chocados ou afetados mentalmente. Procuro uma maneira de lhes transmitir o meu testemunho sem gritar, sem me imolar ou sem procurar uma AK 47.
O número de agressões que não terminaram em morte, as chamadas lesões corporais, é muito grande também: 24.176 casos foram registrados nas delegacias de polícia nos primeiros seis meses do ano. Este número pode ser bem maior se considerarmos que boa parte das mulheres nem chegam a denunciar as agressões sofridas. Na maioria dos casos, tanto de morte quanto de lesão corporal, os agressores tinham algum tipo de relacionamento amoroso com as vítimas, eram maridos, companheiros, namorados, amantes ou parentes próximos, como pai, tio, irmão.