-espaço-tempo-vestimenta para repensar gênero e tecnologia
Metasubcibertrans_mutação_1
A primeira performance MetaSubCiberTrans tem seu espaço no corpo ao qual são precariamente atados dispositivos técnicos. Nos seios, mouses. No estômago, uma placa-mãe. Na boca, portas de conexão. Na vagina, um mouse. Na cabeça, um chapéu de feltro. No colo, palavras escritas em batom vermelho. E, desfazendo signos identitários, uma máscara perfaz dois olhos.
Deparamo-nos com um dispositivo sócio-técnico feito com peças e cabos que não conectam. A força da performance não está no aprimoramento das potencialidades da interatividade ou da simbiose entre corpo e máquina – os aparatos são obsoletos.
No híbrido, se entrevêem os seios. A visão do contorno das pernas faz do sexo potencia de criação e de relação. Sexo também obsoleto frente ao instável arranjo atado com fita adesiva. Divisa-se uma metaficcção que questiona os limites do sexo como marcador identitário e da rede de comunicação como utopia civilizatória.
Há a repetição do pênis, no mouse. Há a repetição da boca, na placa de conexão. Há a repetição do estômago, na placa-mãe. Há a repetição dos seios, nos mouses. Há a repetição da face, na máscara. Na repetição, perfaz-se uma sintaxe.
Os dispositivos técnicos não compõem um exoesqueleto nem são introduzidos na espessura da carne. A performance se dá na superfície da pele. A voz está retida pelas portas de conexão cujos cabos envolvem o pescoço e instalam constrições de movimento. O dispositivo que conecta é o mesmo depõe acerca da insuficiência no uso das redes de comunicação. Atada por fios, a performer não se interliga a outro dispositivo – a sustentação dos aparatos está no corpo. Nos cabos que saem das portas analógicas não correm feixes de informação. Performance e política se entrelaçam num corpo que se situa nas margens da sociedade da comunicação.
A performer não agoniza, sorri fixamente – linha horizontal estirada na face. Em uma das imagens do trabalho, por meio da mão em riste que segura um punhal, é instalada uma figuração ritual.
Proliferação
... não esquecer que a metasubcibertrans é um processo, ela já está diferente, foi feita aqui na bananeiras o ritual de ciberpsicomagia, onde ela já estava diferente, comendo o computador, e agora virou instalação (só a roupa) pendurada no meio das bananeiras, com mais fios e mais mouses, mas agora já não respeitando muito a ordem do corpo...
mais em
http://cassandras.multiply.com/photos/album/15
veja o vídeo!
http://interfaceg2g.org/node/504
| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| meta-ciber-sub-trans(3)[1].doc | 53 KB |