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MANIFESTO MASCULINISTA

Submitted by t on Qui, 03/05/2007 - 17:04.

http://www.midiaindependente.org/es/red/2003/05/254683.shtml
Por Marcelo Mário de Melo 14/05/2003 às 23:49

"... como ficamos nós, que não somos mulheres, nem homosexuais, nem bi, e rejeitamos o modelo machista que nos é imposto desde criancinhas como a marca da masculinidade? A resposta está no masculinismo – uma movimentação crítico-autocrítica, reivindicativa, desfrutativa, solidarista e convivencial."

Nas questões ligadas à discriminação e aos papéis sexuais, as mulheres já estão na sua, os homosexuais idem, os bi também, e até os machões se organizam e se solidarizam, como se viu no caso daquele cara que ferrou a mulher no rosto e teve apoio da Associação dos Maridos Traídos, fundada no Ceará. Todos os setores se mobilizam. E como ficamos nós, que não somos mulheres, nem homosexuais, nem bi, e rejeitamos o modelo machista que nos é imposto desde criancinhas como a marca da masculinidade? A resposta está no masculinismo – uma movimentação crítico-autocrítica, reivindicativa, desfrutativa, solidarista e convivencial.

Sabendo que de carta de princípio e discursos generosos a humanidade já está de sacos e ovários repletíssimos, colocamos os dedos nas feridas através de um manifesto e proclamamos, indicativamente, o que rejeitamos e pretendemos transformar para viver melhor.

2. COMEÇO DE PENETRAÇÃO

MMN - Movimentação Masculina Nordestina.

Símbolo: um cacto ereto ou em repouso.

Observação: um cacto sem espinhos.

- contra o terror machista.

– contra a ditadura clitoriana.

– contra o homossexualismo autoritário.

– pela reconciliação do espermatozóide com o óvulo.

Renunciamos a todas as prerrogativas do poder machista.

Que omem seja escrito sem "H".

Não nos consideramos superiores nem inferiores às mulheres, aos homosexuais e aos bi: somos diferentes e iguais.

Rejeitamos todos os modelos pré-fabricados de sexualidade, caretosos ou vanguardeiros, partindo de três princípios: 1) carência não se inventa; 2) receita, somente de bolo; 3) vanguarda também é massa.

Somos solidários com qualquer saída (ou entrada) sexual que a humanidade venha a inventar e curtir, desde que não haja imposição e violência. E exigimos que se respeite a nossa opção fundamental: gostamos é de mulher.

3. APROFUNDANDO A ENTRADA

– Abaixo o guarda-chuva preto. Não somos urubus.

– Abaixo as exigências do paletó e da gravata.

– Contra o relógio bolachão.

– Pelo direito de mijar sentado.

– Pelo respeito ao pudor masculino: mictórios privativos.

– Pelo amparo aos pais solteiros e abandonados pelas mulheres amadas desalmadas: creches nos bares.

– Queremos pensão por viuvez, auxílio-alimentação e licença-paternidade.

– Não amamentamos, mas podemos trocar fraldinha.

– Pela liberação da lágrima masculina

– Contra o fechamento do mercado de trabalho aos homens: queremos ser secretários, telefonistas, babás, etc.

– Não queremos ser "chefes" de família nem regentes sexuais. Igualdade fora e em cima da cama.

– Queremos trepar mais por baixo.

– Queremos ser tirados pra dançar.

– Queremos ser cantados e comidos.

– Pelo nosso direito de dizer não sem grilos nem questionamentos da nossa masculinidade.

– Pelo direito de brochar sem explicação. Mulher também brocha. Aquele ou aquela que nunca brochou que atire a primeira pedra.

– Abaixo a máscara da fortaleza masculina. Queremos ter o direito de assumir nossas fragilidades.

– Abaixo o complexo de corno. Por que mulher não é corna? Fidelidade ou infidelidade recíproca.

– Cavalheirismo é cansativo e custoso. Delicadeza é unissex. Que seja extinto o cavalheirismo ou se instaure, também, o damismo.

– Queremos receber flores.

– Exigimos a modificação do Pai Nosso:

a) Pai e Mãe nossos que estais no céu...;

b) bendito seja o fruto do vosso ventre, do nosso sêmen.

– Pela capacitação dos homens, desde a infância, para as tarefas tidas como "essencialmente feministas". Reciclagem geral. Queremos aprender corte e costura, culinária, cuidado de crianças, etc. Em contrapartida, ensinaremos às mulheres: trocar pneu de carro, bujão e fusível; dar porrada, atirar e espantar ladrão; matar barata e rato.

– Pela paternidade responsável e contra a gravidez e os filhos serem utilizados como elementos de chantagem sentimental sobre nós.

– Pelo respeito à intuição masculina.

– Denunciamos a utilização depreciativa das expressões "cacete", "caralho", "pra cacete", "pra caralho". Exigimos que cada um ou cada uma se posicione: cacete/caralho é bom ou não é? Se é bom, respeitem como ao seu pai ou a sua mãe.

– Protestamos contra o fato do nosso órgão do amor ser representado, simbolicamente, por espadas, canhões, porretes, e outros instrumentos de agressão e guerra. Só aceitamos a simbolização a partir de coisas gostosas e sadias: chocolates, biscoitos, bananas, batons, picolés, pirulitos, etc.

– Denunciamos como principais vias condutoras do machismo: as vovozinhas cândidas, as mulherezinhas dondocas, as mãezinhas possessivas e as professoronas assexuadas.

4. EMPURRADINHA FINAL

Considerando que muitos masculinistas trabalham dois expedientes, estudam e frequentam um milhão de reuniões e eventos, sem falar das poligamias possíveis, não iríamos incorrer na atitude fascista de inventar mais uma reunião para a comunidade masculinista. Portanto, o nosso princípio de organização é o seguinte: grupos de um, cada grupo obedece a seu chefe. Assembléias gerais com ego, id e superego. Voto de minerva para ego.

Convencidos de que a perfeição não é uma meta e é um mito, procuramos fazer um esforço no sentido de romper com 70% do nosso machismo atual e acrescentar sempre novos itens neste manifesto, aceitando a contribuição crítica e propositiva de todos os masculinistas e outros segmentos sexuais, preservada a nossa opção fundamental pelas mulheres.

Denunciamos os machões enrustidos, que utilizando o discurso masculinista, pretendem apenas dar os anéis para não perder os dedos: recuam em 30% de machismo para manter os 70%. É a Nova República do machismo.

Somos todos oprimidos. E sendo os homens, estatisticamente, minoritários diante das mulheres, isto já nos caracteriza como minoria oprimida. Nós, homens masculinistas, sofremos a pressão dos machões, das feministas sectárias e dos homossexuais autoritários – o que nos caracteriza como a menor minoria oprimida. Requeremos, portanto, o apoio extremo e a solidariedade máxima por parte da sociedade inservil.

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