fotorama

memoria de um aborto

links deliciosos

Proposta para Rede CMI Brasil: Linguagem Inclusiva

Submitted by t on Qui, 03/05/2007 - 15:35.

http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilLinguagemInclusiva

Há tempos, recebemos, todos os coletivos da rede cmi brasil, uma proposta da lista global imc-womyn (repassada pelo cmi-mulheres) para a inclusão, nos processos de aprovação de novos indymedias, um questionário sobre a diversidade d@s voluntári@s: Até que ponto nossos coletivos refletem a diversidade? Como estamos estimulando a participação de mulheres em nosso projeto?

Consideramos importante afirmar que nossa luta anticapitalista também é a luta contra o patriarcado, o racismo, a homofobia (as chamadas "desigualdades invisíveis") e outras formas de exclusão. Nesse sentido, consideramos fundamental sair do padrão de mentalidade que tem como modelo geral o homem-branco-heterosexual-ocidental-cristão. Isso inclui desafiar regras gramaticais que instituem o uso do masculino para significar o genérico e reforçam a invisibilidade de, pelo menos, metade da população que se identifica com o gênero feminino. A opção por essa linguagem sexista reflete mentalidades e moralidades que vêem o homem como padrão, digno de representar as mulheres e a humanidade como um todo.

Incluir a forma feminina nas palavras genéricas (masculinas) é afirmar a existência das mulheres e dar visibilidade para o fato de que elas também estão em todos os lugares. São AS ativistas, AS trabalhadorAs rurais, AS cientistas e, também, AS policiais que oprimem, batem, vigiam...

Vários indymedias do mundo já utilizam a linguagem inclusiva em seus editoriais, e essa é uma escolha política. A comodidade não nos parece justificativa razoável para continuar obedecendo regras carregadas de imaginários de opressão (invisibilidade). A língua muito embora tenha estruturas às vezes muito duráveis, é algo em constante cosntrução e reconstrução, sendo apropriada de muitas formas pel@s falantes.

Entendemos que adotar como postura uma linguagem inclusiva é, não apenas coerente com o que acreditamos, mas uma forma de afirmarmos a pluralidade da sociedade e optarmos por uma "guerrilha de linguagem", na constatação de que o que se fala e se escreve também cria e influencia modos de ser e estar no mundo. É por isso que propomos a mudança da linguagem do nosso sítio - das páginas estáticas, formulário do "publique", aos editoriais. Recusar a palavra "homem" como sinônimo de "humanidade" e preferir palavras coletivas é um bom começo, mas não é suficiente.

Discutimos bastante, mas ainda não optamos pelo formato dessa nova linguagem, ou pela necessidade de uma padronização estilística. É fundamental pensarmos e escolhermos junt@s a melhor forma de expressar a sociedade justa, libertária e inclusiva pela qual estamos lutando: "o/a", "@", "x", ou mesmo a afirmação dos dois gêneros - voluntárias e voluntários do cmi. Quem sabe alguma outra sugestão? A estranheza e incômodo que alguns desses símbolos pode gerar nos parece positiva, na medida em que nos tira do lugar comum, nos induz a pensar e, tomara, adotar outras posturas.

Estar atent@ às denominações que as próprias pessoas se atribuem também é importante. É O travesti ou A travesti? Perceba ou pergunte como a pessoa se identifica.

Também com a linguagem podemos combater exclusões e difundir equidades e igualdades. Vale lembrar o uso de expressões racistas como "denegrir", "a situação tá ficando preta" e outras. Abaixo, alguns pontos para reflexão sobre o assunto. Contamos com a opinião de vocês.

em solidariedade,

cmi-brasília e cmi-mulheres

__________________________________________
breve comentário sobre a linguagem e sexismo

A linguagem é inocente?

# A linguagem reflete padrões de interação social. Mais do que isso: a linguagem não só reflete, mas também participa na manutenção e reprodução de certas idéias e práticas culturais.

# A noção de que há conexões entre a linguagem e a configuração da sociedade não é nova. Sabe-se que a linguagem reflete, produz, amplia e limita nossas formas de pensar. O controle sobre a linguagem é também de certa forma um controle sobre as mentalidades. Um exemplo desse poder está no livro 1984, de George Orwell, em que é narrada a tentativa do governo totalitário de mudar a linguagem para evitar que as pessoas tenham pensamentos politicamente perigosos.

# A linguagem pode contribuir para a manutenção de certas desigualdades. Uma linguagem sexista certamente contribui para uma sociedade sexista.

# Que tipo de vocabulário e de moralidade você quer continuar produzindo? Lembre-se: você não só é usuári@ da língua, como também a produz!

O masculino genérico é "neutro" mesmo?

# Existem vários pares de opostos (leão/leoa, cachorro/cadela), mas um termo do par geralmente funciona como um termo mais “neutro”. Usamos “cachorro” para nos referimos a cachorros machos, mas também é um termo geral para o cachorro cujo sexo não foi especificado. Cadela, no entanto, se refere exclusivamente à fêmea. Esses termos neutros são referidos semanticamente como não-marcados, enquanto cadela e leoa são semanticamente marcados.

# A forma não-marcada “homem” pode se referir a homens ou a seres humanos no geral. A forma marcada é restrita às mulheres. Assim, as mulheres são, efetivamente escondidas atrás da terminologia “genérica”(masculina). E “homem” também não é uma terminologia realmente genérica. A neutralidade da categoria é duvidosa. Existe uma tendência a se pensar, realmente, nos homens, mesmo quando estamos falando no plural. Ao promover o uso do masculino e o desuso do feminino, claramente se apóia e se dá visibilidade e primazia para os homens.

# Podemos igualar a visibilidade entre homens e mulheres substituindo expressões como “homens” por “pessoas” ou “seres humanos”, ou utilizar formas mais criativas: @s ativistas, trabalhadorxs...

# A quem interessa certas regras gramaticais? Por quem foram criadas?

Linguagem menos reacionária para pensamentos mais livres!

proposta enviada em: 29 de fevereiro de 2004 .
proposta aprovada.

Posted in Submitted by t on Qui, 03/05/2007 - 15:35.