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Submitted by t on Seg, 09/04/2007 - 09:17.

"Will the Real Body Please Stand Up?"

"levante-se por favor, verdadeiro corpo" é um texto publicado em 1991 pela MIT Press, de uma mulher geralmente dissociada do movimento ciberfeminista, Allucquère Rosanne (Sandy) Stone, uma teórica do transgênero que também escreve sobre o desejo e o corpo virtual. o texto é seu trabalho inicial sobre identidades e o corpo nas comunidades virtuais, em que a autora usa relatos dessas comunidades como ponto de partida para um aparato de produção de comunidade e um aparato de produção de corpo. um espaço virtual, segundo a autora, seria um lugar de interação criado por um consenso mútuo onde conceitos como distância, dentro/fora e mesmo o corpo físico tomam outros significados. o que entendemos por um espaço real e um espaço virtual são determinados por condições locais, no entanto nem todas as relidades são iguais. os sistemas virtuais teriam aparecido em 4 épocas distintas, marcando cada vez mais tecnologicamente a comunicação humana. os 4 estágios de desenvolvimento das comunidades virtuais são:

Época Um: Textos. [desde meados de 1600]
textos como novelas criam um novo tipo de comunidade, privada ao contrário de pública, criando tb a consciência burguesa, além da absolutista anterior

Época Dois: Comunicação eletrônica e mídia de entretenimento. [1900+]
começando com o fonógrafo e se deslocando das salas de concerto para as salas de estar, essa época termina em 1970 com o primeiro computador. a "voz que recebemos dentro de casa" através do rádio seria uma forma nova e complexa de experimentar a relação entre o corpo humano físico e o "eu" que o habita, quem escuta estando em dois lugares simultâneos - em casa e no ambiente de quem faz a transmissão, em um espaço de mediação construído tecnologicamente, ou seja, através de uma interface. essa interface seria alquilo que em um sistema virtual se interpõe ao corpo humano e o "eu" associado.

Época Três: Tecnologia da Informação. [1960+]
a primeira comunidade virtual foram os serviços chamados de on-line bulletin board (BBS). o nome veio justamente para sugerir um local de postagem de anúncios (bulletins) e muitos eram shareware (uso compartilhado) - parte da ética primeira visionária de muitos programadores, sendo o computador um mero ponto de passagem para a circulação de conceitos comunitários.

aqui os participantes de sistemas virtuais já aprenderam como delegar ação à representantes de seu corpo, que existem em um espaço imaginativo junto a outros participantes, ou o que Sandy chama de um "sonhar lúcido em um estado acordado" - como uma prática social participatória em que as ações do leitor têm consequências no mundo do sonho ou do livro. nesta fase a metáfora da leitura se transforma radicalmente em um espaço textual que é sobretudo consensual, interativo e háptico, construído em práticas inscritas - a produção de código e novos espaços sociais, onde os limites entre social/natural e biologia/tecnologia, generosamente permeáveis, passam a caracterizar o espaço comunal.

Época Quatro: Realidade virtual e ciberespaço. [1984+]
o mais significante evento do quarto estágio é a publicação na novela de ficção-científica de William Gibson: Neuromancer. Neuromancer representa a linha divisória entre o terceiro e quarto estágio não porque sugeriu algum desenvolviemnto tecnológico, mas porque cristalizou uma nova comunidade, atingindo aos hackers que foram radicalizados pela cinemática evocação de George Lucas
da humanidade e a tecnologia infinitamente extendida - além daqueles que buscavam por formas sociais que poderiam transformar a anomia fragmentada que caracterizava a vida no Vale do Silício
e em todos os guetos industriais eletrônicos. de uma só vez, a visão poderosa de Gibson os deu uma esfera pública imaginável e uma comunidade discursiva refigurada, influenciando desde publicações técnicas à conferências, design de hardware e discursos científicos e tecnológicos. o ciberespaço 3D descrito em Neuromancer ainda não existe, mas seu início pode ser achado em experimentos militares assim como do setor privado. a existência da novela de Gibson assim como o imaginário social e tecnológico que o articulava, fez com que os pesquisadores de realidade virtual se reconhecessem e se organizassem como uma comunidade.

do desenvolvimento dos computadores seguiu-se o desenvolvimento de visuais imaginários para a vida cotidiana, oriundas das artes como o cinema, animação e efeitos especiais.

no capítulo "disassociando o corpo e o sujeito" Stone revê o trabalho de Frances Barker, "O privado trêmulo corpo" de 1984 em que a autora sugere que o corpo cessou de ser percebido como espetáculo público e começou a ser privatizado de novas formas, o "eu" tornado um mero texto, servindo aos propósitos da acumulação de capital, pois encontraria-se isolado das complexidades da economia social pública. segundo Barker o corpo a partir da Inglaterra de 1600 passa a ser progressimavente escondido (tanto pelo vestuário quanto pela privaicidade espacial). concomitantemente o "self", ou o "sujeito" de Barker se esconde ainda mais, até que muito de sua forma de expressão é feita através de textos. onde a comunicação social era direta e pessoal tornou-se indireta e delegada através de tecnologias - primeiro caneta e papel, depois as tecnologias e a economia de mercado dos impressos. o corpo tornou-se um "lugar de operação de poder, um exercício de sentido... uma transição, feita por um longo período de tempo, de um objeto social visível para um que não podia ser visto" (Barker 1984: 13). ao mesmo tempo, o corpo Vitoriano escondido tornou-se fisicamente produtível e mais tarde proveram o motor da revolução industrial, usado como corpo bruto em que a criatividade era um empecilho. o maquinário do capitalismo habilmente proveu novos canais de energia produtora retida. em resumo: o corpo tornou-se mais físico e o sujeito mais textual - ou seja não físico.

a divisão entre corpo e sujeito acentua-se durante a era da informação, mas simultaneamente desaparece, já que o mecanismo sócio-epistêmico que dá significado aos corpos na parte final do século XX realiza o seu mais extenso isolamento através de uma dominação autorizada a segurada.

Stone comenta dois outros textos que contam histórias parecidas da evolução do corpo e do sujeito através das intervenções de tecnologias do final do século XX, levando a baixo suas categorias e limites: "O Manifesto do Ciborgue" e "As Biopolíticas dos Corpos Pós-Modernos", ambos de Donna Haraway (1985/1988). nestes textos fica claro como os limites entre o sujeito, corpo, natureza e o resto do mundo se reconfiguram, agora mediados pela tecnologia. isso significa que muitas das categorias analíticas para fazer a distinção entre biológico e tecnológico, entre natural e artificial, humano e mecânico tornaram-se não-confiáveis, em uma implosão de sentidos de onde surge uma nova economia de significação.

Stone argumenta que binarismos como natureza x (versus) cultura ou natureza x (versus) tecnologia funcionam logicamente como uma "estratégia para manter as fronteiras econômicos e políticos". uma falsa construção, que tenta deixar a tecnologia visível como also separado de nossos seres naturais e de nossas vidas cotidianas - uma nostalgia das indústrias pós-modernas, mas também parte de um estilo cognitivo oposicional, binário, que alguns mantém como parte da epistemologia masculina pervasiva da sociedade.

Com sua pesquisa com engenheiros de realidade virtual e trabalhadores de sexo ao telefone, Stone percebe que o trabalho de ambos os grupos estariam representando o corpo humano através de canais de comunicação limitados, códigos descritivos, acionando expectativas culturais e tornando-os objetos de desejo: um processo de produção de realidade encorpada, cognição e comunidade, com consequências para o corpo tornado objeto de relações de poder.

Através de seu texto ela mostra que as concepções de espaço cartesiano ainda persistem no espaço virtual, que o significado de localidade e privacidade não está seguro, que desejo não mais se relaciona ao físico, assim como estes novos espaços são habitados por corpos com "componentes eróticos complexos". Segundo ela, não haveria nada na lógica das redes digitais que sugeriria o espaço cartesiano, o corpo ou o desejo, então porque as comunidades virtuais estão tão baseadas nestas questões? A questão ciberfeminista de Stone é esta -> entender se os futuros habitantes do ciberespaço continuarão a construir o desejo através da geração de corpos e gênero em termos binários ou acharão possibilidades mais interessantes de diferença sem se guiar por relações de dominação e submissão. Parte dessa resposta, segundo a autora, depende de como os "ciberespacionistas" se relacionarão com o corpo virtual.

Neste sentido, o potencial de interação, o que distingue o computador do modo cinemático, produziria um espaço profundo e textural e que segundo a pesquisadora Vivian Sobchack (1987) pode ser habitado, sendo ele a concretização física do desejo de escapar à superfície e se mesclar ao sistema criado - o participante tornando-se também criador da simulação - que também é, segundo Stone, parte da formação do encorpamento masculino adolescente, sendo o ciberespaço a concretização desse desejo (moldurado psicoanaliticamente do homem) de atingir uma liberdade "kinestesicamente excitante", um desejo inarticulado do homem pela mulher que a autora caracteriza como a inveja do Ciborgue.

Neste sentido, penetrar a tela envolve um estado que vai do físico, espaço biológico de espectador para o simbólico, o metafórico "consenso alucinatório" do ciberespaço; um espaço que é locus de intenso desejo for um encorpamento refigurado. Entrar no ciberespaço é fisicamente vestir-se de ciberespaço. Para se tornar um ciborgue, é necessário vestir o sedutivo e perigoso espaço cibernético como um acessório, colocar o feminino. a intensa tatilidade asociada com tal reconcebido e refigurado corpo constitui a qualidade sedutora que alguns chamam o ato cibernético.

o lugar do corpo é central para o ciberfeminismo. a inserção do corpo em um espaço virtual na verdade produz sentido através da articulação entre as diferenças entre corpo e não-corpo, entre espaços e não espaços. Stone também argumenta que as tecnologias não são agentes transparentes que removem a questão de gênero de vista e sim ploriferam a produção e organização de corpos ge(ne)rados no espaço.

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o texto "Metacarne, ou a vida depois da carne" é de autoria de José Augusto Mourão. segundo o autor, ele versa sobre o quê significa quando dizemos que os humanos se tornaram outra coisa além de humanos - a tal vida depois da carne. uma primeira resposta vem logo em seguida: "METACARNE é o que não acaba no cemitério. O software". Metacarne é também o primeiro romance interativo em português, de Manuel Pais - sendo ele um livro sobre o destino da carne depois da carne, como um metadiscurso sobre a vida no ciberespaço e as questões que a cibercultura hoje nos coloca de uma forma evidente.

Segundo Mourão, a escrita, que vivia da hesitação entre a língua e a fala, deslocando-as, vive hoje uma profunda mudança, orientando-se para aquilo a que se convencionou chamar de “hipertexto”.
Partindo do pressuposto de que as nossas vidas passam-se entre e em textos, o autor começa por analisar as ferramentas eletrônicas na criação literária e reflete: o hipertexto não apenas torna a escrita interativa, reticular, mas faz com que ela se torne um meio de elaboração mental coletiva em tempo real, um pensamento coletivo. A linguagem hipertextual é ainda uma multiplicidade que comporta muitos termos heterogêneos e que estabelece ligações, relações entre e através naturezas diferentes - idades, sexos, reinos. O que é importante não seriam as filiações e descendências, mas a alianças e as ligas, os contágios, as epidemias. Suprimindo o conceito de narrativa clássica, instaurando a interatividade em seu lugar, e aproximando-se do jogo, não há dúvida que as novas tecnologias de difusão estariam impondo um novo estilo à escrita, mas o autor lembra que a geração automática de textos faz-se há pelo menos trinta anos. O texto deixaria de ser uma rígida coleção de regras ou de procedimentos técnico-formais acabados, para ser um percurso generativo, construtivo, de formas e de significância. Para o autor, não há duvida que a metáfora hipertextual transporta uma visão utópica particular da informação: uma TAZ, ou Zona Autônoma Temporária. Mas como denominar a nova literatura: infoliteratura, Literatura Algorítmica, Literatura Potencial, Ciberliteratura, Geração Automática de Texto, ou Poesia Animada por Computador?

Dessa mesma forma as noções de corpo e carne seguem, se ficcionalizando virtualmente mas não-fisicamente, representada por técnicas como a clonagem biológica, que opera assim como a clonagem cultural (que a precede). As idéias, o modo de vida, o meio e o contexto cultural são os instrumentos mais silenciosos de anulação das diferenças inatas. O corpo metafísico esta a ser destruído pelo corpo utópico, que é uma mistura de técnica com o bios. A carne está a tornar-se meta-carne. Com o colapso realidade vs ficção também a dualidade cartesiana espírito/corpo é eclipsada pelo conceito de "cyborg" que mina o conceito de "humano". A "carne" designa a substância animal em todas as suas formas. Desde a sua instalação na terra, o ser vivo é definido pelo confronto dos contrários: crescimento e reprodução, por um lado, destruição e morte, por outro lado. A sexualidade, sem ter um caráter tão universal, dá-nos o terceiro elemento do tripé em que se apoia a evolução das espécies: a vida, o sexo e a morte. A carne o corpo opõem-se fenomenologicamente. O sistema de interação entre o corpo e a máquina é uma variação do tocar - porventura o sentido mais recalcado em nós e que reencontramos com as máquinas.

A compulsão do virtual seria a compulsão para existir "in potentia" em todos os écrans, o que resulta na desaparição do eu "real" e da comunidade "real" através da proliferação destes signos. "A Rede foi o ópio/energia dos anos 90" (p. 116). No seu todo, a utopia do ciberespaço sai deste livro de Pais plenamente desmitificada. A vida no ciberespaço, desenhada por Thomas Jefferson: fundada na primazia da liberdade individual e no comprometimento com o pluralismo, a diversidade e a comunidade, é bem mais igualitarismo do que elitismo, e bem mais descentrada do que hierárquica. Parece ter sido. Para milhões de "netters", o ciberespaço é um lugar real com potenciais reais. Mas as ciber-comunidades oferecem-nos estratégias de desterritorialização como zonas de jogo - salas de vício privado em que cada tem a sua Disneylandia à cabeceira.

E termina o texto com mais indagações: "Nous ne savons pas ce que peut un corps" (Spinoza). Sabemos nós o que pode um livro? (p. 11) Que anuncia esta nova Babilónia? (p. 134). Que religiões propõe? (p. 78, p. 92) Que ética de escrita? A presença de Camus no exergo deste livro que anda remete-nos para a ideia de "engagement". Que pode a literatura, e mais, decisivamente agora, a ciberliteratura?

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O artigo "Todo corpo é corpomídia" de Helena Katz é uma tentativa de identificar um estado do corpo, ao contrário de categorizar o que é um corpo.

Partindo do pressuposto de que as informações tendem a operar dentro de um processo permanente de comunicação, ou usando o conceito Delleuziano de contágio, Helena ressalta que as informações - e portando o corpo - não é estático, relacionando-se com o ambiente, outras informações, corpos, modos de armazenar, transmitir e interpretar - em um fluxo permanente.

Dessa forma, cada corpo estaria sempre sendo um corpo processual e em co-dependência das trocas que realiza, um resultado provisório de acordos contínuos entre os mecanismos que promovem as trocas de informação. A vida seria tanto produto quanto produtora de um mundo em rede, onde os corpos são sempre corposmídia de si mesmos. A noção do corpo é portanto uma construção, onde discurso e poder se inscrevem. Segundo a autora tratar o corpo como corpomídia tem conseqüências políticas. A primeira delas sendo: o corpo não é, o corpo está, instaurarando a transitividade no lugar anteriormente ocupado pela noção de identidade.

Aqui, mídia não é tratada como sendo um meio de transmissão, mas a informação que fica no corpo, que se torna corpo. E não se trata da noção de corpo-máquina, onde adentra uma informação que estava fora (no ambiente), a máquina processa e, em seguida, a devolve ao ambiente, em uma seqüência fora-dentro-fora. Ou seja, a teoria corpomídia rejeita o modelo computacional de comunicação.

Tenho receio de dizer que cheguei a conclusão que Helena completamente apagou a noção de corpo e instarou a pra e sintética mídia em seu lugar... reler texto?

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"Tecnologia e contrução da subjetividade. A feminização da representação do cyborg" de Ana Martínez-Collado foi publicado na revista eletrônica Acción Paralela #5

Ana inicia seu texto com uma questão que considera crucial e inevitável para o nosso tempo (em que sujeito não existe fora do discurso e em que a identidade é puro artifício): a questão da representação de uma subjetividade não essencialista. Assim como Helena, fala do desaparecimento do corpo, mas ressalta que através das biotecnologias, ao mesmo tempo, o desejo de um outro (super) corpo é criado. Não existiria um "conheça seu corpo", mas "invente seu corpo". E o que acontece com a identidade de gênero nesse "mais corpo"? Ana cita o trabalho de Stone que diz que nas comunidades virtuais ainda produz-se corpos sexuados e o trabalho de Foucault para dizer que todo representação segue os padrões culturais e sociais vigentes.

Mas Ana segue sua indagação querendo saber se a contribuição das mulheres para a rede, o trabalho das ciberfeministas pode responder a sua pergunta, mesmo sabendo que ainda dão seus primeiros passos. Aonde se econderiam os elementos femininos que contribuiram para fazer igualitárias as estruturas de poder que favoreceram desde sempre discriminatoriamente aos homens? Ela também destaca que o surgimento das ciberfeministas coincide com o desenvolvimento de um feminismo expandido - característico dos anos 90 - que seria muito mais plural e aberto.

Uma resposta é dada por Sadie Plant, que aposta na matriz: a história de Ada Lovelace, a primeira programadora do mundo. Ada inventou o sistema binário, que parece com a ortodoxa constituição da realidade ocidental - bem e mal, verdadeiro e falso, ativo e passivo, homem e mulher. Mas zero + um somam um. O homem é tudo e a mulher não existe. ela é o não-todo, a não-totalidade. Frente a esse esquema, a matriz digital supõe o lugar de sua subversão. Nela, anulam-se as diferenças dos gêneros constituidos e a feminização seria não a constituição de um feminino, mas a feminização como metáfora de uma des-hierarquização. Plant diz: "a cibernética é feminização. a tecnologia pode prover ao feminismo algo que nunca teve antes, a oportunidade de borrar o masculindo do começo ao fim". A metáfora da matriz é essencial pois converte a mulher em uma força simbólica definitiva, desafiando a superioridade masculina. A feminização constitui-se como metáfora e efetuação de um procedimento desconstrutivo. Subversão do sistema que não conclui com a inversão de hierarquias, mas sim que persegue a destruição interna de todos os sistemas hierárquicos - os disseminando em um tecido expandido de redes, de diferenças, de multiplicidades. Só com essa condição se dará a desconstrução dos meios para intervir no campo das oposições que critica, formando um tecido de interrelações onde a força das conexões (através do link) se dá da superposição de outras múltiplas conexões e temas - hipertexto, arquiescritura - a feminização da rede.

Para o feminismo, se trataria de transformar a política do corpo da escritura feminina para aproximá-la à política do ciborgue da escritura digital, seguindo a sugestão de Theresa Senf. A política ciborgue se dá no espaço virtual como exercício de todas as combinações possíveis da subjetividade. Ana não fala de importar ou recuperar os supostos atributos tradicionais do feminino e sim o exercício do desejo, em um lugar de ausência de hierarquias cuja estrutura não permite a presença de qualquer determinação falocêntrica. O ciborgue, por não ser um ser de código genético herdado e sim resultado de uma engenharia, do laboratório, de uma aplicação de conhceimento ao desejo e vontade, por esta razão o ciborgue nos proporciona também um contexto privilegiado para estiudar a identidade de gênero como resultado de uma produção simultânea de matéria (corpo) e ficção (cultura).

Igual ao ciborgue a mulher é também construção, ficção produzida através de interações sociais, assim como o corpo. E na era das tecnologias do corpo,a oposição entre natureza e cultura desaparecem. O corpo feminino - todo corpo - é uma construção artificial entre vários sistemas de significado. O lugar da experincia utópia para viver provisionalmente identidades parciais, contigentes. E para explorar, reinventando de dentro, todos os sistemas parciais de quaisuqer identidades. Porém a autora lembra: os corpos mudam mas as ideologias se mantém. Podemos falar das diferenças?

Ana cita Judith Butler que insiste na transformação através da performitividade, através dos atos conscientes de exercício da diferença, já que a construção de gênro é cotidiana. dessa perspectiva a Internet é um espaço privilegiado para desenhar nosso futuro. Na matriz difgital o organismo cibernético tem uma possibilidade real de reescrever as relaçoes esteriotipadas da identidade, o gênero e a sexualidade que permiotam no futuro reestruturar pessoas, direitos e responsabilidades.

Posted in Submitted by t on Seg, 09/04/2007 - 09:17.