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LANÇADO COLETIVO NACIONAL DE LÉSBICAS NEGRAS FEMINISTAS AUTÔNOMAS -CANDACE -BR

Submitted by t on Dom, 01/04/2007 - 12:50.

DIA 21 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DE COMBATE A DISCRIMINAÇÃO RACIAL FOI
LANÇADO O COLETIVO NACIONAL DE LÉSBICAS NEGRAS FEMINISTAS AUTÔNOMAS EM
REDE NACIONAL VIA WEB.
ESTE DIA FOI ESCOLHIDO POR SER UM DOS SINÔNIMOS DA LUTA DO MOVIMENTO NEGRO
CONTRA O RACISMO MOSTRANDO EM QUE VERTENTE PRETENDE ATUAR ESTE COLETIVO.

leia na intergra carta de apresentação e objetivos,
abaixo.
Na
escuridão
da
noite
Meu corpo igual

Fere perigos

Adivinha recados
Assovios e tantãs (...)

1.

Quando nos arrastaram da África para os portos do Haiti, Jamaica, Cuba,
Mississipi e Brasil, não sabiam que nossos corações separados continuariam
a bater como se tivessem em um só corpo. E que nossas vozes, mesmo
fraturadas, continuariam cantando em uníssono.

(2)

Falar de lesbianidade e negritude e dar expressão ao nosso corpo,e
percebemos nossa sensibilidade,nossa vulnerabilidade,nossa transcendência.

E difícil falar da lesbianidade negra, pois estamos falando de nosso corpo
estético –político – marcado por experiências pessoais singulares de
exclusão e preconceito, pelos poderes sociais e hostis. (3)

Através da criação do Coletivo de lésbicas negras feministas autônomas,
ocorrido no VII Encontro de lésbicas latino- americanas e caribenhas – VII
ELFLC, Santiago-Chile, Nasce para fazer uma reflexão e propor o debate
aberto despretensioso e sincero sobre a questão das lésbicas negras,no
movimento de mulheres negras,bem como extrapolar fronteiras
preconceituosas e lesbofóbicas existentes no movimento negro em geral,
para seguidamente juntos enquanto negras e negros, oprimidos pela
segregação racial, lutarmos por uma sociedade " democrática radicalmente
pluralista,multicultural e solidária, que abarque o Estado, a sociedade, a
família e as relações amorosas".(4)

Este coletivo, acredita que as questões raciais, o sexismo, são problemas
que não afetam apenas as mulheres e os negros, mas toda a sociedade, "
pois são fontes de injustiça , de intolerância, de violência, de fraturas,
enfraquecendo todo o potencial de solidariedade e sociabilidade que todos
nós como seres humanos possuímos".(5)

Queremos desconstruir esta forma imposta de se fazer política, a busca da
posição dominante a qualquer custo, o vale-tudo, para derrotar oponentes –
seja pelas heterossexuais, seja pelos homossexuais. Queremos partilhar
democraticamente todos os tipos de poderes, construir solidariedade na
diferença, no dialogo, escutar ativamente e reciprocamente, acreditamos no
respeito mútuo, no sentimento de igualdade moral e política entre as
pessoas.

Para alcançarmos este objetivo, devemos colocar a questão da lesbianidade
na discussão racial como ordem do dia, reconhecendo que a lésbofobia
racial existe e deve ser denunciada e combatida, principalmente entre
nosso movimento negro. Queremos através deste coletivo colocar em prática
a verdadeira libertação sexual, incorporando valores históricos de nossa
etnia,lutamos para que a sociedade brasileira assuma definitivamente sua
identidade pluriracial e seja também expressa pela nossa cara, Lésbica
negra!

Gênero e raça são eixos estruturantes dos padrões de desigualdades e
exclusão social no Brasil. É impossível eliminar esses padrões de
desigualdade e exclusão sem enfrentar –ao mesmo tempo – as desigualdades e
a discriminação de gênero e de raça e principalmente devemos acordar que
para eliminarmos estas desigualdades devemos debater profundamente a
questão das lésbicas negras para que assim possamos caminhar juntos nesta
luta pela igualdade racial.

"Homossexuais negros sofrem dupla discriminação em função de sua cor e de
sua orientação sexual. Também dentro da comunidade negra, a
homossexualidade é vista como debilitante, como um ultraje à ordem social
estabelecida e a imagem do homem negro que é tido como símbolo de
masculinidade". (6)

As lésbicas negras, bem como os gays negros sofrem violências físicas às
vezes até a morte, porém o sofrimento psicológico pela negação da sua
condição de ser do gênero feminino, de identidade e condição humana
também.

O Coletivo quer sobre , o que é compreendido em primeiro lugar que a
lesbianidade, tal como a homossexualidade masculina "é uma categoria de
comportamento possível apenas numa sociedade sexista, caracterizada por
papéis sexuais rígidos e dominada pela supremacia do homem.Esses papéis
sexuais desumanizam a mulher, definindo-nas como uma casta de apoio –
serviço em relação à classe dominante dos homens e tornam os homens
inválidos emocionais aos lhes exigir que sejam alienados dos seus próprios
corpos e emoções de modo a executar eficientemente as suas funções
econômicas - política - militares.A Homossexualidade é um produto
secundário de uma forma particular de definir papéis (ou padrões aprovados
de comportamento) com base no sexo, e como tal é uma categoria inautêntica
(que não está de acordo com a" realidade ").Numa sociedade em que os
homens não oprimissem as mulheres, e em que fosse permitida a expressão
sexual seguir os sentimentos, as categorias homossexualidade e
heterossexualidade iria desaparecer ".(7)

O coletivo de Lésbicas Negras Feministas autônomas, surge para aprofundar
estes debates e por acreditar que a participação da lésbica negra deve
estar em todos os setores dos movimentos sociais, espaços políticos e
institucionais, entendido por nós como uma necessidade para conter a
dominação dos grupos sociais minoritários, geralmente representado pelo
macho-adulto.

Mesmo com as contradições internas no movimento feminista acreditamos que
o mesmo tenha avançado e contribuído teoricamente sobre a lesbianidade, a
partir do debate sobre sexualidade em geral. Ë nestes avanços que uma
participação maior de lésbicas nos encontros nacionais e internacionais
feministas que as contribuições nos processos de políticas públicas para
as mulheres que as lésbicas negras organizam-se para a implantação e
implementação deste debate no movimento feminista e na sociedade
civil.Pois como lésbicas negras, "sabemos bem quanto trazemos em nós a
marca da exploração econômica e de subordinação racial e sexual. Por isto,
trazemos conosco a marca da libertação de todas e todos." (8)

DOS PRINCÍPIOS DESTE COLETIVO

Este coletivo também denominado Candace –BR, através desta carta vem se
apresentar à sociedade brasileira, com este conteúdo que é o queremos
debater e com os seguintes princípios baseados em três vertentes, Racismo,
feminismo e Classe.

Autonomia - Horizontalidade

Transparência - Radicalidade

Ética -Intolerância a violência, Racismo, sexismo,Lesbofobia.

Autodeterminação - Sororidade

Afidamento

NOSSOS OBJETIVOS

Combater todas as formas de violência, lesbofobia e racismo.

Incentivo a pesquisa sobre raça e lesbianidade.

Lutar pela Inclusão social de lésbicas negras em saúde, moradia, geração
trabalho e renda,Educação, comunicação comunitária,tecnologia, cultura e
arte.

ORGANIZACÃO

Este está organizado horizontalmente por cinco comissões , onde as mesmas
são escolhidas entre todas integrantes do coletivo em reunião anual do
mesmo.

Comissão moderadora

Comissão de ética

Comissão de articulação e projetos

Comissão de cultura e arte.

Em especial alguma integrante poderá ser excluída da comissão, bem como do
coletivo quando se fizer necessário através de uma carta justificativa
acordada pela maioria das integrantes da rede ou na reunião anual.

DA PARTICIPACÃO NO COLETIVO

Participam deste coletivo, apenas lésbicas negras, convidadas pelas
fundadoras associadas, devendo passar preencher ficha de adesão e passando
por critério da comissão moderadora e só estará apta a responder pelo
m,esmo após sua primeira participação no encontro anual.

DO CONSELHO NACIONAL E INTERNACIONAL

Participam deste conselho, feminista lésbica ou não, independente de sua
raça-etnia, desde que o coletivo compreenda a importância da convidada
para o avanço e o debate deste coletivo para com seus objetivos.

INTEGRANTES DO CONSELHO NACIONAL E INTERNACIONAL

Claudete Costa –RS

Silvana Conti –RS

Maria Angélica Lemos – SP

Ochy Curiel – México

Érika – México

Ester – México

Julieta – Colombia

Cecilia –México

Celeste Vinet – Chile

Claudia – Chile

Apenas farão parte deste conselho mulheres convidadas por integrantes do
coletivo que farão uma apresentação formal da convidada e a mesma
preencherão a ficha de inclusão no conselho após debate interno do
coletivo.

ASSINAM ESTA CARTA

Leila R. Lopes –RS

Arielle Meirelles –RS

Maria Odete Bento –RS

Norimar das Neves Siqueira – RS

Fátima de Oliveira –RS

Solange Feliciano de Souza –RS

Anelise Quiroga -RS

Joelma Cezário –DF

Meire Lucia mesquita – PE

Marta Almeida Filha – PE

Marcia Izzo- SP

Atiele - SP

Claudia Rosa -SP

Mara Miniassan-SP

Aminwa do Ébano –SP

Roseli Macedo Silva – RN

Muito axé para todas e todos

Coletivo de Lésbicas Negras Feministas Autônomas

21 de Março de 2007.

Referências bibliográficas

Meu corpo igual. Cadernos negros 15. São Paulo-Quilombo hoje – literatura
1992.

Write, Evelyn C. Oakland Califórnia – O livro da Saúde das mulheres
negras_ nossos passos vem de longe –RJ, Pallos, Criola, 2000.

Werneck, Jurema. Mendonça, Maisa. Write, Evelyn C.- O livro da Saúde das
mulheres negras_ nossos passos vem de longe –RJ, Pallos, Criola, 2000.

Silva, Benedita – Assistente social, discurso mesa "as mulheres negras no
processo de colonização e sua reação durante este período, XIII encontro
nacional feminista.

Silva, Benedita – Assistente social, discurso mesa, "As mulheres negras no
processo de colonização e sua reação durante este período, XIII encontro
nacional feminista.

Diéne, Doudou – relatório racismo, discriminação racial, xenofobia e todas
as formas de discriminação,pg. 13, auto comissariado das Nações Unidas
para os Direitos Humanos, Outubro, 2005.

The woman – Identified woman, radical lesbian 1970.

González, Lélia. A importância da organização da mulher negra no processo
de transformação social. Raça & dane (5). 2, Nov-dez 1988.

Posted in Submitted by t on Dom, 01/04/2007 - 12:50.