-espaço-tempo-vestimenta para repensar gênero e tecnologia
Existiu no Pará, na primeira metade do século XIX, uma sociedade (ou associação) formada apenas por mulheres. Este era um caso raro no Brasil oitocentista. Existiam no país naquela época muitas sociedades mutualistas e beneficientes, religiosas, de trabalhadores, mas em geral, quando formadas por homens, não era permitida a participação de mulheres. Fiquei impressionada quando li sobre a existência da Sociedade das Novas Amazonas ou Iluminadas, criada em Belém em 1833. Provavelmente eram mulheres de classe média-alta, letradas (também um caso raro naquela época no Brasil). Eram nacionalistas demais e a sociedade tinha uma estrutura muito hierarquizada e ritualísticas, mas ainda assim é interessante conhecer suas características, só pelo fato extraordinário de ser uma sociedade feminina.
Foi fundada na semana passada, dia 19 de setembro, a Associação Mulheres Guerreiras, uma associação de profissionais do sexo, na cidade de Campinas-SP. Alguns dos objetivos desta entidade é lutar por respeito e contra o preconceito e discriminação, denunciar a violência e investir na prevenção e no direito à cidadania e na elevação da auto-estima das prostitutas. Denise Martins, travesti e uma das coordenadoras da associação (que também faz parte da coordenadoria de travestis do Grupo Identidade), afirmou que a formalização de uma associação "visa auxiliar mulheres, homens e travestis profissionais do sexo, tanto na prevenção à Aids, como na luta por melhores condições de vida e por políticas públicas específicas”. Me causou certo estranhamento o fato de haver notícias sobre a fundação publicadas, tanto na mídia mais formal e conservadora da cidade de Campinas como no site do CMI.
O Arquivo Edgard Leunroth (http://www.ifch.unicamp.br/ael/) do IFC-Unicamp está disponibilizando há um tempo em seu site sua clássica publicação, os "Cadernos AEL" - publicação de artigos selecionados por um tema específico. Um de seus primeiros números, vol.2/3, n.3/4, de 1995-1996, tem como tema as mulheres, o feminismo e a história (no site indicado, procure no link publicações, cadernos ael).